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Pontes, com cortes – uma alternativa inclusiva

Julho 27, 2013

Portugal precisa de pontes, no país e com a europa e o mundo. Os portugueses precisam de pontes, na família, na vizinhança, na comunidade, no local de trabalho. A governação portuguesa precisa de pontes e tem poder para as construir. Nunca os portugueses precisaram tanto delas como agora, não porque se vive um período negro da nossa história, mas porque se anda a destruir as poucas pontes construídas. Pior, anda-se a matar a esperança de as construir. Fundamento: não há dinheiro. O argumento dos incompetentes. Perguntem a Mandela, Luther King, Getúlio Vargas, Gandhi, Churchill, FD Roosevelt, Afonso Henriques, se construíram pontes com dinheiro. Pelo contrário, são as pontes que geram valor, são as pontes que nos tiram da crise.

Mas o maior problema nem é a incompetência, porque esta aprende-se, o maior drama é a falta de coragem, sobretudo dos que têm poder. A coragem de fazer pontes, não a coragem dos cortes. O não-Acordo da semana passada provou bem qual o único líder partidário tinha a coragem de fazer pontes, e quantos dos seus históricos e aspirantes calculisticamente estavam prontos para destruir o que pode dar uma larga maioria no alcance do poder. De que serve alcançar o poder destruindo pontes, quando é impossível sair-se de uma crise sem elas. Mais, como os portugueses veriam um líder ou partido que tem dado o exemplo de exigência e disponibilidade para se construir essas pontes desde o primeiro dia, e durante os últimos dois anos?! E, admitindo o alcance do poder nestas condições, como agir num governo minoritário sem pontes?! À maior parte dos comentadores falhou o essencial.

Esta é a hora de fazer o que está certo, sem maniqueísmos ou oportunismos inócuos, regenerando e renovando o regime, antes que seja substituído por algo de desprezível. E estou convencido de que o próximo governo será o último a ter a oportunidade de fazer o que está certo no actual ambiente político-constitucional que se conhece.

Por isso, a doutrina dos cortes é necessária, mas não é decisiva, nem primordial. Os portugueses reconhecem-na, por isso a tem dolorosamente aceitado, com efectivos sacrifícios. Mas a ineficácia dos mesmos é uma catástrofe. À crise acrescentar-se-á a catástrofe. A exigência de cortes não pode cegar o luzimento das pontes. Na actual configuração interdependente do mundo, são as uniões, as redes, as relações, as comunicações, as negociações, os diálogos que geram valor e riqueza, seja onde for, na política, na economia, na comunidade e nas mais diversas estruturas sociais. Não há nenhum exemplo na História de saída de uma crise catastrófica sem pontes, sobretudo com o seu povo. E em democracia, desenganem-se aquela/es que pensam que se sairá desta crise sem partidos políticos ou a dizer mal deles. É utópico pensar-se assim, tanto quanto pensar-se que depende exclusivamente deles e dos seus líderes alcançar-se a boa governação e o bem-estar das pessoas. Certo é que António José Seguro tem sido o único líder, da esquerda à direita, que tem percebido e defendido a alternativa adequada aos tempos que vivemos, pela defesa de uma alternativa inclusiva, com cortes sim, mas sendo instrumentais do que verdadeiramente queremos, como queremos ser governados e em solidariedade com um outro povo de que fazemos parte: o europeu. Todos temos de nos elevar, sobretudo contra os nossos próprios preconceitos ideológicos, políticos e sociais, e sentimentos de desconfiança, intolerância e má liderança. E todos temos de nos envolver sem abdicar das nossas ideias e princípios. Não é incompatível, se distinguirmos o essencial do acessório. A alternativa está no meio de nós, o valor e a riqueza está nas pontas unidas. 

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