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Desenredarmo-nos de um passado inadequado

Março 15, 2013

As recentes sondagens sobre políticas e políticos e partidos, embora sejam multicontextuais, são excelentes despertadores para aqueles que (ainda) pensam que a mudança na política e de políticas (que é consensual) se bastará com umas alterações de casuísticos remendos a grandes leis pensadas com mentalidade de séculos passados. Qualquer mudança a fazer-se no sistema político pode ser feita, mas é insuficiente se não for definida visão com a simplicidade dos comuns, justificada por valores publicamente aceites e implementada com princípios eficazes face à actualidade e conforme os fins e valores a ela subjacentes. Por isso, qualquer ordem de mudança do sistema tem de ser feita numa nova direcção, sob desígnios últimos bem definidos e propostos em nome de e para cidadãos comuns e gerações futuras.

Não bastam novas ideias, novos protagonistas, novas políticas e vice-versa, apesar de serem imprescindíveis. São necessárias sobretudo ideias, capacidades e resultados novos, de hoje às próximas décadas, que aumentem o bem-estar, riqueza e prosperidade do país e das pessoas, a eficácia e ‘inteligência’ das políticas e do capital social, que criem ambientes fecundos de grandes lideranças e de participação na rede de valor público multiplicador das políticas públicas, ex ante e ex post.

Isto exige uma (nova) visão e agenda de política e políticas públicas fazíveis e de futuro, mesmo que sem prática governativa presente. Este futuro deve ter um nome para fazer a síntese da acção. Um nome para além de um slogan ou de uma frase, embora deva nelas ser traduzido. Um nome que compreenda e comunique, sem medo, uma ideologia actualizada e renovadora. Não hão-de ser as ideias “analógicas” que criarão valor com o digital, e muito menos contribuirão para o futuro pós-digital! Não são as ideias “mal-burocráticas”, que vão tornar as organizações “eficazes”! Não hão-de ser os peritos das manigâncias da influência e da cunha, e em corrupção que serão os exemplos e os precursores da transparência, abertura, prestação de contas, integridade ou responsabilização da acção pública! Mas até estes podem mudar, pois são especialistas do sistema, e assim úteis para a iniciação de um ciclo de renovação ideológica, cultural e comportamental, integrado num projecto inspirador, aberto e visionário.

O sucesso das respostas a desafios antigos não repete as mesmas soluções. Há um novo trabalho a fazer-se, há novas formas de pensar e agir, porque há problemas novos a enfrentar (o altíssimo e crescente desemprego, o ‘giga’endividamento nacional e o envelhecimento da população são meros três exemplos). Novos problemas, logo, novas políticas, mentalidades, regras e práticas. Fazer a síntese da visão com os cidadãos é dever dos partidos políticos, mas também dos cidadãos, individualmente e para com os partidos. A síntese pode ser o resultado de um esforço colectivo de projecção e construção da riqueza política e pública nacional em duas legislaturas. É muito tempo? Não, é até curto para o que há a ganhar. A concorrência é muita (nacional e internacional) e complexa (comentadores, media, sindicatos, associações, grupos de interesse, militantes, personalidades), mas garantido só está o insucesso que resulta, por exemplo, de fazer dos meios (finanças, orçamentos, economia) fins, numa ausência nefasta de qualquer visão da acção governativa! Em muitos há medos, resistências e desconfianças, pois é agir no incerto, mover-se no terreno do não reconhecimento imediato, é trabalhar sobre algo que ainda não existe, ou colocar em perigo o seu ‘lugar’ no sistema. Porém, juntos, estes ‘prejuízos’ serão menores e a cultura pode mudar, para alguns fazerem ‘reset’ da sua conduta e prioritização de interesses. Começar por se questionar em que sistema de governação do país e da comunidade quer estar, viver e conviver é já desenredar-se de um passado inadequado.

Os projectos e as pessoas intemporais fizeram-se antes do seu tempo, sobretudo em tempo de descrença, desespero e de crise. Temos de fazer hoje a síntese do futuro e da mudança, mas uma síntese vanguardista e ideológica audaz. Acordem-se os fins e os meios se levantarão. Começar a estar presente, agir em conformidade, fazer ‘aconteSer’, é sempre o início da nossa ‘inscrição’ e o fim de algo com o qual não nos identificamos. O desabafo e a crítica não comprometem. Lutar, ou seguir alguém, por aquilo em que se acredita, sim. Quem dedica parte da sua vida a inscrever aquilo em que acredita, é, como qualquer empreendedor social, um vencedor, porque vencer é não desistir da sua visão.

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