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Que se lixem as “culpas”!

Setembro 28, 2012

E a culpa é de governos anteriores? A culpa é de Sócrates e do governo anterior? E a culpa é dos políticos? Sim, e a culpa é de Salazar? E a culpa é do Marquês de Pombal? E a culpa é dos Filipes? E a culpa é de Afonso Henriques?… e a culpa é dos macacos?!!

Que porra de desculpas, sobretudo para aqueles que nunca fizeram ou fazem nada pelo seu país, comunidade, vizinhança, etc… Pior, muitos provavelmente até estão na primeira fila do escárnio, da censura, da crítica, da mentalidade arcaica, negativa, mesquinha ou da politiquinha da humilhação, do bloqueio, da cunha e anti-cunha, da difamação, da hipocrisia, etc, etc..e há muitos por aí ainda infelizmente… Eu desaprovo estes, mas não posso, nem quero agora estigmatizá-los porque todos precisamos da maior parte. Estamos todos no mesmo barco. Estamos todos no mesmo barco do camarote ao casco! Da popa à proa! No topo ou na base, da esquerda à direita, estamos todos dentro dele! E não é, ou não deve ser, uma questão de culpa! É uma questão de futuro, que parte da responsabilização individual e colectiva, caso contrário até constitui uma ofensa a quem usa a testa para pensar, dizer-se que tudo cabe a um governo e o resto é paisagem e bananas! Numa democracia, não decidem todos tudo, todos decidem o essencial e alguns, os escolhidos, decidem o principal e o acessório. A sociedade política somos todos nós, não é só feita de políticos. Então e os cidadãos e organizações? Não existem? Não têm poder? Mas não é este o mundo globalizado, digital e plano? A primavera árabe não foi causada pelo acto de uma só pessoa, o tunisino Mohamed Bouazizi?!

As políticas erradas devem ser democraticamente combatidas, as decisões ilegais devem ser legalmente sancionadas e os decisores de actos criminosos devem ser penalmente julgados e condenados, do funcionário ao presidente da república. Ninguém deve ficar de fora. Mas o discurso de que a culpa do estado da nação é de passados governantes, do Estado ou desta ou daquela elite, para além de afrontoso à inteligência popular, é uma falácia argumentativa e esconde uma não-inscrição política social ou humana dos cidadãos, se não mesmo uma alienação. O que é legítimo, refira-se, mas então que ‘fale-se pelo exemplo’. E mesmo que se admita a verdade parcial das “culpas”, estas só servem para construir nadas positivos e vazios colectivos, terrenos férteis para o autoritarismo, o mau-estar social, a pobreza e a fome das maiorias do costume, que têm, refira-se, aumentado em Portugal!

A sociedade não se faz de um individuo, pater familias ou político. Esse tempo já lá vai. Só há uma maneira de ter o nosso destino nas mãos: é reunir a maioria, dedicada, comprovada e alargada, socialmente representada, com sentido de comunhão, razão e bom senso, e construir um projecto de acção e equidade política agregador da maioria e superador da crise. Crise que não depende, nem dependeu, de nós, apesar dos nossos erros. Por isso, deve agir-se em três frentes: nacional, europeia e internacionalmente. Os países têm governos mas já não existe “a” governação nacional ou “a” política nacional. Admitir que a política não é dos políticos, que ela depende de cidadãos activos e as políticas reflectem a qualidade da cidadania e da política, é dar primeiros passos para a acção curativa concertada que o país precisa.

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