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Segurança Energética Inteligente

Agosto 27, 2011

Artigo publicado no Expresso na edição de 27-08-11

O Brasil é o modelo para uma política de segurança energética inteligente geradora de desenvolvimento sustentável. É o que demonstra o Índice de Segurança Energética Inteligente (ISEI), um índice composto que relaciona o desempenho alcançado em cinco dimensões influentes na segurança energética, nas vertentes económica, ambiental e geopolítica, a saber: intensidade energética, intensidade carbónica, energia primária de base renovável, eletricidade ‘verde’ e grau de dependência energética de combustíveis fósseis.

Com base em informação do Eurostat e da Agência Internacional de Energia, o ISEI é calculado segundo uma média composta pelos quatro primeiros indicadores referidos, sendo esta ponderada pelo último. O ISEI varia numa escala de 0 a 5, em que quanto melhor o desempenho alcançado num indicador mais elevada é a pontuação.

Os resultados falam por si. O ISEI do Brasil, quando comparado com o da União Europeia, é bem revelador do sucesso da estratégia prosseguida: 4,3 contra 1,1. O gigante sul-americano não só é autossuficiente em petróleo, mas também alcança a proeza de incluir no seu mix energético cerca de 50% de energia primária de base renovável. Em contraste, a UE, no seu todo, não ultrapassa os 8% neste componente.

O Brasil conseguiu este feito notável nas energias renováveis essencialmente pelo foco em duas frentes: 76% da eletricidade é de origem hidroelétrica e perto de 20% dos seus combustíveis líquidos são produzidos a partir de cana-de-açúcar. E, também, pela forte aposta na exploração&produção  (E&P)  de petróleo  e  gás em águas ultraprofundas.

Eis uma lição crítica para Portugal: apesar de, entre a UE, possuir uma das maiores percentagens de fontes renováveis no seu mix de energia primária (sobretudo para produção de eletricidade), o ISEI português apresenta um desempenho muito baixo (0,42).

Isto significa que a elevada vulnerabilidade energética de Portugal manter-se-á enquanto não se melhorar fortemente a eficiência energética dos sistemas industrial e de transportes, bem como reduzir a dependência extrema do país da importação de petróleo como única fonte base dos combustíveis líquidos.

Neste plano, a estratégia energética deverá focar-se, no curto prazo, na diversificação pela introdução dos biocombustíveis, do gás natural e da mobilidade elétrica e, no médio-longo prazo, no aprofundamento da exploração das potenciais fontes fósseis nacionais, a maioria localizada em território marítimo: petróleo em águas ultraprofundas, gás de xisto e hidratos de metano.

Este desafio é uma excelente oportunidade de cooperação para uma segurança energética inteligente entre Brasil e Portugal, geradora de riqueza real e soberana.

Doutorando em segurança energética pelo ISCTE-IUL e Academia Militar; Membro do Grupo de Estudos “Brasil e Atlântico Sul” do Instituto de Defesa Nacional

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